Recorrente Recomeço
Olá, viajante,
Difícil saber por onde começar este blog. Alguém ainda lê blogs hoje em dia? Talvez isso acabe sendo só um repositório de ideias… Sementes lançadas à terra, à espera do tempo certo pra germinar. Ou quem sabe um early access… pra fãs que ainda nem existem. Por enquanto, o que existe é só uma promessa lançada ao vento: a de que algo vá surgir daqui. E tudo — absolutamente tudo — começa assim. Como uma promessa feita a si mesmo.
Recomeço aqui mais uma vez. Já são muitos recomeços... recorrentes, conscientes, quase rituais. Mas desta vez, não estou aqui só pra preencher espaço. Estou aqui pra esvaziar. Pra abrir um canal limpo, vivo, permeável… por onde ideias, símbolos e histórias possam passar.
Estou protegendo esse espaço. Reformulando a vida inteira ao redor dele — como quem ergue uma fortaleza em torno de um núcleo sensível e verdadeiro. Parafraseando Martha Graham… nosso trabalho, enquanto artistas, é esse: manter o canal aberto. Mas pra manter a porta aberta, é preciso espaço.
É preciso tirar as tralhas. Reorganizar os móveis do cômodo mental. Pra não bloquear a entrada. É preciso o vazio.
Este blog — este espaço — é como uma clareira em meio à floresta de ideias. Um lugar pra pensar alto, registrar processos, anotar lampejos de mundos possíveis. Nem sempre de forma ordenada, mas sempre viva. É um misto de diário de bordo, caderno de esboços, e relicário de intenções. Talvez ainda não haja muita coisa. Apenas o espaço vazio de um quarto antes da mudança.
Aos poucos, os móveis vão chegar. Só preciso me lembrar… de sempre manter o espaço pra porta.
[clique no quadrado para ouvir a narração]
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